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3 de julho de 2014

Vida


a manh'ser


Eu sou o caule 
dessas trepadeiras sem classe, 
nascidas na frincha das pedras: 
Bravias. 
Renitentes. 
Indomáveis. 
Cortadas. 
Maltratadas. 
Pisadas. 
E renascendo.

Minha Cidade
A minha vida é como
se me batessem com ela.

Intervalo Doloroso/Livro do Desassossego


20 de junho de 2011

Vou-me aproximando da minha idade


Deviantart/Cylena
 
Vivo sempre no presente. O futuro não o conheço. 
O passado, já não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo,
o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. 

Livro do Desassossego

Mas horas há que marcam fundo
Feitas, em cada um de nós,
De eternidades de segundo.
Assim a vida nos afeiçoa

a idade é isto: o peso da luz
com que nos vemos.
Espelho
O título do post foi retirado de um
poema do livro "O Peso da Sombra" 
de Eugénio de Andrade.


4 de dezembro de 2008

Sabedoria

Caprice Clark/White Chair



Um homem pode, se tiver a verdadeira sabedoria, gozar o espectáculo inteiro do mundo numa cadeira, sem saber ler, sem falar com alguém, só com o uso dos sentidos e a alma não saber ser triste.


Livro do Desassossego


 

22 de setembro de 2008

Quero...

Tomek Sikora/zefa/Corbis


Um regaço para chorar,
mas um regaço enorme, sem forma,
espaçoso como uma noite de verão, e
contudo próximo, quente, feminino,
ao pé de uma lareira qualquer.

um colo, um berço,
um braço quente
em torno do meu pescoço,
uma voz que cante baixo
e que pareça querer fazer-me
chorar.

um calor no inverno,
um extravio morno da minha
consciência.

e depois, sem som,
um sonho calmo,
um espaço enorme como a lua
rodando entre as estrelas.

Bernardo Soares

Livro do Desassossego