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22 de abril de 2015

Noite

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Não consigo dormir. 
Tenho uma mulher atravessada
entre minhas pálpebras. 
Se pudesse, diria a ela que fosse embora;
mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.

Eduardo Galeano

Mujeres. Siglo XXI, España, 2015

 Então, convicto, ouço teu nome,  
única  parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto… o quê?   a massa 
de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.

Aparição Amorosa




8 de fevereiro de 2013

Essencial

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Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez
Obrigado, coisas fiéis!

Saber que ainda há  florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!


A Rosa do Povo




31 de outubro de 2011

Resíduo




Pois de tudo ficou um pouco
 Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.



  ,

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira/MG, em 31 de outubro de 1902 e morreu em 1987, aos 84 anos. Hoje estaria completando 109 anos.




29 de dezembro de 2009

Canção de fim de ano


Uma vez mais se constrói
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.


Carlos Drummond de Andrade
Poemas de Dezembro



Aos queridos amigos que sempre deixam pairando no ar dos meus rios a suave
fragância do afeto, desejo que
, em tempo algum, deixem de escutar a
alentadora canção da esperança. Muito obrigada por suas
sempre leais e indispensáveis presenças.

Tão doce, tão cedo, tão já, tudo de novo vira começo.
Paulo Leminski

Feliz 2010!



Imagem: Hiroshi Watanabe/Getty Images



23 de agosto de 2008

Um despertar sem sonhos

Hakan Photography



A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir,
...
é quando ao despertar,
revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias


Carta





17 de junho de 2008

Faltando um pedaço



















Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
...
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

A um ausente


Imagem: Denis Scott/Corbis