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3 de outubro de 2015

Momento

(Imagem Google/desconheço a autoria)

O momento das carícias
insinuara-se entre eles, 
metera-se entre os lençóis, 
não sabia dizer explicitamente
o que queria, mas fizeram-lhe a vontade.

José Saramago
A Caverna



5 de fevereiro de 2014

No silêncio dos olhos

Elizabeth Etienne/Corbis



Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?


José Saramago
Os Poemas Possíveis
Lisboa, Caminho, 1999



17 de dezembro de 2012

Silêncio


Pascal Renaux



Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?

José Saramago
No Silêncio dos Olhos


Entre mim e o meu silêncio
 há gritos de cores estrondosas
e magias recortadas dos sonhos
 que acontecem naturalmente.

A Criança em Ruínas





20 de agosto de 2012

O resgate do fruto




Era demasiado amor. Demasiado grande, demasiado confuso e arriscado, e fecundo, e doloroso. Tanto quanto eu podia dar, mas mais do que me convinha. Por isso se desmoronou. Não se esgotou, nem se acabou, nem morreu, desmoronou-se apenas, veio abaixo como uma torre demasiado alta, como uma aposta demasiado alta, como uma esperança demasiado alta.

Almudena Grandes 
Castelos de Cartão
Venham enfim as altas alegrias.
As ardentes auroras, as noites calmas,
Venha a paz desejada, a harmonia.
E o resgate do fruto, e a flor das almas.
Que venham, meu amor, porque estes dias
São de morte cansada,
De raiva e agonias
E nada.

José Saramago
Provavelmente Alegria

9 de junho de 2008

O que o outro lado esconde





Eu ia muito a ópera no São Carlos, e ia sempre lá para a parte de cima onde havia uma coroa. Quer dizer, o camarote real começava embaixo e ia até lá em cima e fechava com um coroa dourada enorme. Coroa essa que vista do lado da platéia e do lado dos camarotes era uma coroa magnífica. Do lado em que estávamos não era, pois ela só estava feita entre as quartas partes, e dentro era oca, e tinha teias de aranha, e tinha pó. Isso foi uma lição que eu nunca esqueci: para conhecer as coisas há que dar-lhes a volta toda.


Janela da Alma 
(documentário brasileiro de João Jardim e Walter Carvalho)

Imagem: Takao Onozato/amanaimages/Corbis