Como em minha boca, um gosto ocre,
Me pinta um amor de aquarelas
Que faz de teu fel um resto doce.
Embriagado de ti, em ti me rendo
Ao teu de mim desconhecido
Nem te perdendo, nem te vendo,
Me entrego cego, reconhecido.
E busco ternuras de calendário,
Aos teus encantos, por fim, rendido.
De mim mesmo, meu adversário,
Me perco em ti, seu teu querido.
E busco o doce em tuas mãos,
Nelas me agarro, sobrevivente,
Como quem nega a própria razão
Na desmedida que nos faz gente.
E à tua pele dou a tensão
De ser nela a pele minha.
E aqui te faço minha perdição,
Meu sonho, minha alquimia.
José Eduardo Teixeira Leite
Desejo Morte e Carambolas
Me pinta um amor de aquarelas
Que faz de teu fel um resto doce.
Embriagado de ti, em ti me rendo
Ao teu de mim desconhecido
Nem te perdendo, nem te vendo,
Me entrego cego, reconhecido.
E busco ternuras de calendário,
Aos teus encantos, por fim, rendido.
De mim mesmo, meu adversário,
Me perco em ti, seu teu querido.
E busco o doce em tuas mãos,
Nelas me agarro, sobrevivente,
Como quem nega a própria razão
Na desmedida que nos faz gente.
E à tua pele dou a tensão
De ser nela a pele minha.
E aqui te faço minha perdição,
Meu sonho, minha alquimia.
José Eduardo Teixeira Leite
Desejo Morte e Carambolas
Imagem: Alvaro Ennes













