15 de outubro de 2008

Lembrete




Não esqueças, sobretudo,
de olhar devagar.


não há olhar mais
sensível, mais exato,
mais ardente, mais revelador e mais
latejante, do que o do toque.

Imagem: Scott Murdoch


14 de outubro de 2008

Breve pausa



 











Meus queridos,

Depois de nove dias sem postar e sem poder visitá-los como de costume, sinto-me obrigada a adimitir que precisarei fazer uma pausa no Dois Rios, mas, aviso de antemão, que será por pouco tempo. Logo na 1ª quinzena de novembro pretendo estar de volta.

Deixo meus muitos carinhos aos amigos listados abaixo, que me têm acompanhado muito de perto, ao longo desse breve caminhar na blogosfera. São nessas teias de fios invisíveis que vamos tecendo os nossos afetos.

Thiago Ya'agob (Debaixo das Asas), João da Silva (As Rosas Não Falam), Débora Schuab (Do Jeito Que Eu Sou), Ana Diniz (Blog do Seu Interesse), Mdsol (Branco no Branco), Shakti (Silêncio nas Palavras), Clarinha (Brincando com Palavras), Nanda Assis (Luz dos Olhos), Ana (Pelos Caminhos da Vida), João (Sonhos e Devaneios), Tiago (Bossa Nova Café), Bill Stein Husenbar (Desabafos Solitários), Elaine (Cor de Rosa e Carvão), Ricardo (Manhã de Inverno), Victor (Dispersa Palavra), Nadezhda (Where Is My Mind), Beautiful Stranger, Papoila (Campo em Flor), Diva (Momento de Vida), Ivone (Um Silêncio de Paixão), Zek (A Ironia de um Perdedor Que Tinha Tudo Para Ganhar), Ray («« ڱemöґïvö »»), Marcelo (Amenidades), Camila (Caminhos), Beautiful Stranger, Jardim de Urtigas, Nina (Ponto Pessoal), Juani (Mis Palabras y Sentimientos), Duarte (Amigos de Portugal), Cadinho Roco, BruneLLa Wyvern (De Amor e de Letras), Beja Dando Voz aos Poetas, E la nave vá, Marinha de Allegue, Marina (Do Fundo do Mar), Sim eu Digo, Poetaeusou, Sabrina (Suspiro); Nido (Desabafos Mentais), Ki Colado, Carlos (Charlielight), Milla (Acorde em Mi Maior), Wanderson (Confissões de um Ego), ~pi (Passages), Pipinha (Partilha de Emoções), D. (Clandestinamente), Sei Que Existes, Mundo Azul, Jamille Lobato, Mello, João (Lista de Sonhos), Carol (No Mundo da Lua), LP (Paraíso do Inferno), Salomé (Sentimentos), Nenê (Sempre a Pensar Sabe-se Lá no Quê ), A Elite de Paris, Vivian (In Foco), Quase Trinta, Carla (Palavras em Desalinho), Nocturno (Insanidade Perfeita), Não Somos Apenas Rostinhos Bonitos, Késia Maximiano (Japonês em Braile), Boa Noite Cinderela, Sammyra Santana (Borboleteando), Véu de Maya (libertas-vitalis), Lua Prateada, Eloyna Lee (Cemitério de Ilusões) Baby (Barlavento), Salomé (Sentimentos), Maurizio (Instantes e Momentos), Three Love's, Nina (Menina Nina), Vanna (Reflexões e Opiniões), Jimi (Bobeiras em Geral), Verônica Martinelli, Multiolhares, Assim Que Sou (Verônica), Pati (Pérolas que colhi, Flores e Poesias), (Ariana (Pensamentos em Palavras), Felina (Pele Felina), Su (Xanax), Ane (Vivendo e Sonhando), Gerly (Nadica Demais), TCHI de Tchivinguiro (Pérolas de Ouro), Juliana Lira, Maicom (Maicomllima), Zé Carlos (A casa do Zé Carlos), Dauri Batista (Essa Palavra), Marcella, Aliny (Menina Virtude), Alice (elogiodellafolli), Thefy (Minhas Razões), Dito Pelo Maldito, Maria José Quintela (Do Lugar Em Mim), Caroline (Letra Vermelha), Rouxinol (Fascinação), Luísa (Pin Gente), Nati Caetano, Betho Sides.

Agradeço aos que somaram 94 comentários no post "Roda Viva." Tão logo esteja de volta retribuirei o carinho das visitas.

Aos recém-chegados e aos que porventura aportarão nos meus rios, espero que desfrutem do frescor das minhas águas e que voltem sempre.

Muitos beijos,
Inês
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Só mais uma coisinha:

Há demonstrações de carinho que nos imensam, como diria Manoel de Barros, e nem sequer são de dizer. As tuas, meu lindo João, são assim. Colocá-las para além do meu coração, só se for numa moldura.
Minha sempre ternura por ti, meu querido amigo.


















Aceito que vás, mas... volta!
Se não voltares, nem vás!
Nenhum laço se desfaz,
nem um pingo há, de revolta,
se tu me dizes voltares,
trazendo de volta os ares
que, inebriado, respiro.

Aceito que vás, mas... pouco.
Vai pouco e volta correndo,
e eu fico aqui sabendo
que logo vens... nem sou louco
de te deixar ir assim,
para tão longe de mim!
Eu, que tanto te admiro?

Volta logo, alma querida,
traz no bolso uma esperança
que vou ficar feito a criança
que te espera, pela vida.
Vou te aguardar mui ansioso
e quero ver, remansoso,
o rio cuja margem miro.

Como um rio só não me basta,
eu quero os dois, quero inteiros!
Quero os sonhos verdadeiros
de tu'alma linda e casta.
Quero os rios dos meus janeiros,
quero os encantos primeiros
que sinto quando aqui suspiro.

Beijos, minha linda, beijos mil!

João da Silva

As Rosas Não Falam

6 de outubro de 2008

Roda Viva














A gente tem que morrer tantas
vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo.
...
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas.
...
Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
...
Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo.

Não dá outra: tiro o chinelo…
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha…
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

No Elevador de Deus

Google Imagens


3 de outubro de 2008

Tu e eu



















Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos
tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo
da minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu,
nem eu, nem tu.



Jalal Al-Din Rumi



Imagem: So Hing-Keung/Corbis


30 de setembro de 2008

O meu homem

Miles/zefa/Corbis


Há mulheres que querem que
o seu homem seja o Sol.
O meu quero-o nuvem.

Há mulheres que falam
na voz do seu homem.

O meu que seja calado e eu,
nele, guarde meus silêncios.
Para ser a minha voz quando
Deus me pedir contas.

No resto, que tenha medo
e me deixe ser mulher,
mesmo que nem sempre sua.

Que ele seja homem em breves doses
Que exista em marés, no simples
ciclo das águas e dos ventos.
E, vez em quando, seja mulher,
tanto quanto eu.

As suas mãos as quero firmes
quando me despir.
Mas ainda mais quero
que ele me saiba vestir.
Como se eu mesma me vestisse
e ele fosse a mão da vaidade.

Mia Couto

O Fio das Missangas

26 de setembro de 2008

Chove...



 












Chove...

Mas isso que importa!
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira


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22 de setembro de 2008

Quero...

Tomek Sikora/zefa/Corbis


Um regaço para chorar,
mas um regaço enorme, sem forma,
espaçoso como uma noite de verão, e
contudo próximo, quente, feminino,
ao pé de uma lareira qualquer.

um colo, um berço,
um braço quente
em torno do meu pescoço,
uma voz que cante baixo
e que pareça querer fazer-me
chorar.

um calor no inverno,
um extravio morno da minha
consciência.

e depois, sem som,
um sonho calmo,
um espaço enorme como a lua
rodando entre as estrelas.

Bernardo Soares

Livro do Desassossego






19 de setembro de 2008

Antes de te conhecer


 

















Era o teu rosto.
Era a tua pele.
Antes de te conhecer,
existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens
que olhava ao fim da tarde.
Muito longe de mim,
dentro de mim,
eras tu a claridade.

José Luis Peixoto



O resto é Veneza, Mahler, e um incrível
e triste, sentimento de beleza.

José Eduardo T. Leite

Imagem: J. Borodina


18 de setembro de 2008

Felicidade
















Se eu pudesse congelar o tempo,
escolheria este momento,
exatamente este,
nesta pouca hora
de um dia ensolarado.
O gerânio novo
enfeitando a prateleira,
o riso da criança
brilhando lá fora.
O livro aberto
no lugar certo,
que simplesmente diz
"Eu não tenho nada,
mas rouxinóis gorgolejam
versos na calçada."
É assim que se começa a ser feliz.

Flora Figueiredo



porque o dia de hoje esparramou-se
em alegrias e ocupou-me por inteiro.




Google Imagens



15 de setembro de 2008

Constatação
















O Nunca Mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a duração.
O Nunca Mais é só meia-verdade
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tempo não.

Hilda Hilst
Cantares do sem nome e de partidas

Google Imagens

10 de setembro de 2008

Um único momento




















Achamos que a vida é uma sonata
que começa com o nascimento
e deve terminar com a velhice.
Mas isso está errado.
Vivemos no tempo, é bem verdade.
Mas, é a eternidade que dá sentido à vida.
Eternidade não é o tempo sem fim.
Tempo sem fim é insurportável.
Eternidade é o tempo completo,
esse tempo do qual a gente diz:
"Valeu a pena".

Compreendi, então, que a vida é uma sonata que,
para realizar a sua beleza, tem que ser tocada até o fim.
Dei-me conta, ao contrário,
de que a vida é um álbum de minissonatas.
Cada momento de beleza vivido e amado,
por efêmero que seja,
é uma experiência completa
que está destinada à eternidade.
Um único momento de beleza e amor
justifica a VIDA inteira.

Rubem Alves
Concerto para Corpo e Alma


Imagem: Alley Cat Productions-Brand/Corbis


8 de setembro de 2008

Asa presa




















O tormento de te amar é uma asa presa
que me detém num cubo de medo;
medo de que o amor eterno exista,
não caiba nas nossas vidas tão breves
ou não lhes resista.

Luminária


Imagem Mimmo Jodice/Corbis
Detail of Cupid and Psyche by Antonio Canova


5 de setembro de 2008

Sempre resta algo a dizer



















Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos
do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito
.

Albano Martins
Escrito a Vermelho

Imagem: Microzoa/ImageBank


4 de setembro de 2008

Separação














não houve culpados
só feridos.




Imagem: Natasha Guderman


1 de setembro de 2008

O primeiro olhar


 














Inventa a eternidade na simples
comoção de olhar uma estrela.
Basta que a olhes pela primeira vez,
depois de a teres olhado inúmeras vezes. 
E, então, não precisarás de nenhum Deus
que te ponha a mão no ombro e diga "estou aqui".
Uma estrela espera-te desde toda a eternidade.
Procura-a.
E vê se a não perdes durante a vida inteira.
A tua estrela pode não estar no céu.
Põe-na lá.

Vergilio Ferreira
Pensar





Imagem:Matthias Kulka/zefa