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16 de agosto de 2010

Um mar de poucas palavras



Se o mundo não tivesse
palavras

a palavra do mar,
com toda a sua paixão,

bastava.
Não lhe falta
nada:
nem o enigma
nem
a obsessão.
Entregue ao seu ofício

de grande hospitaleiro
o mar é um animal
que se refaz

em cada momento.
O amor também.
Um mar

de poucas palavras.

Casimiro de Brito
Fragmento 117 do Livro das Quedas



Navegando nas ondas metafóricas do poeta, eu diria que o mar,
com todos os seus encantos e mistérios, assim como seus recorrentes movimentos de
subida/descida, avanço/recuo, começo/fim/recomeço, braveza/serenaridade, ida/volta... nada mais é do que a própria vida em estado líquido.



Imagem: Getty Images/Frederic Cirou (modificada)