Nem sempre as poesias que posto no Dois Rios têm a ver com o que estou passando ou sentido. Muitas vezes posto uma poesia pela sua beleza intrínseca, ou então porque me toca, ou porque, de um certa forma, me identifico com as palavras do poeta. Outras vezes, como hoje, sinto que, se poeta fosse, teria escrito sem mudar uma vírgula sequer, todos esses versos. Amanhã, certamente, não me apetecerá a exatidão dos traços e nem a previsibilidade dos fatos. Mas hoje sim, me cairia muito bem uma ampla parede branca .
Dêem-me uma parede branca!
Quero reescrever-me
desde o início
Quero reescrever-me
desde o início
Quero-me noutra história
em que eu invente o princípio
sem deixar nada ao acaso
Quero saber o que faço
e para quê
Quero ser dono do tempo, do espaço
desenhar as personagens
a cruzar no meu caminho
Quero ser o narrador
a cruzar no meu caminho
Quero ser o narrador
o dono, rei e senhor
de uma vida desenhada
a régua e esquadro
Imagem: Inês/Dois Rios
(Hatillo-Ve)
(Hatillo-Ve)
