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6 de agosto de 2013

Ausência

NSMBL



Você prometeu que estaria no outro trapézio quando eu soltasse o meu, não prometeu? Por isso eu balançava de olhos fechados. Sem medo. Por isso eu ficava de cabeça pra baixo nesse pedaço de madeira suspenso por duas cordas. Você garantiu que me seguraria pelos dois punhos e me levaria para o outro lado. Que haveria alguém no fim do meu salto. Você juntou os pés e jurou que não me deixaria cair nesse número sem rede. Com a cara no picadeiro. Foi por acreditar em você que gasto mais uma das minhas vidas. Morro mais uma vez pela sua ausência.
Eduardo Baszczyn
Desamores



26 de setembro de 2011

Ritual

Beau Lark / Corbis



desde que foi embora, o mesmo ritual: 
caixa sobre colo, eu tiro o laço, 
desfaço a fita, jogo a tampa. 
e não me animo com o presente. 
desde que foi embora, eu apenas 
desembrulho o meu dia. 
sem etiqueta de troca, 
não sei o que faço com ele.


20 de agosto de 2011

O nó era fraco




Eu me arrebentei, assim, porque o nó era fraco. Frouxo. Mal dado. Eu afundei, em segundos, porque no meu casco havia um buraco milimétrico por onde o mar entrou, aos poucos. Inteiro. Eu caí com o primeiro vento porque não havia tijolos. Eu era construção mal feita. Erguida na pressa. Madeira com pregos mal batidos. Fachada. Eu derreti ao sol porque era de plástico. Sumi no sopro porque era pó. Eu me quebrei na primeira queda porque, por dentro, não havia mais nada. eu me sentia forte, sem saber que já era oco.


 
Eduardo Baszczyn

Coisas da Gaveta
 
Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e
ninguém suspeitar dos traumas, das quedas,
dos medos, dos choros.

 

28 de abril de 2011

Entrelinhas




O bolso cheio de pedras, mas os rios todos secos.
Há dias em que até afundar é impossível.

Eduardo Baszczyn
Coisas da Gaveta


Imagem: Moises Saman/The New York Times/2009
Rio Eufrates/Iraque


Amigos,
O blog continuará a ser atualizado, porém os comentários
ficarão desativados por um certo período.





27 de novembro de 2009

Apenas cacos















há dias em que é impossível
transformar a dor em beleza.
fazer dela mosaicos coloridos.

há dias em que cacos são apenas cacos.


Eduardo Baszczyn
Coisas da Gaveta


Google Imagens
(desconheço a autoria)