15 de janeiro de 2012

Metade de mim

Fotolog/Aida_sqt


A laranja cortada ao meio,
úmida de amor, anseia pela outra...
É assim, é bem assim que eu te desejo.
Preparativos de Viagem 




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por um certo período. 




9 de janeiro de 2012

Ângulo

Weheartit / Bruna Kaercher


Mudar o ângulo
para não perder a faculdade
de estranhar. 


Maria José Quintela





O link dos comentários ficará desativado
por um breve período.

















4 de janeiro de 2012

[Des]esperar


Flickr / Wendy aka Gwen2010




No relógio da sala não uma e meia nem sete nem quatro,
trinta e oito da madrugada, duzentas e onze da manhã, 
e uma escuridão infinita.


António Lobo Antunes
Eu Hei-de Amar uma Pedra  
Há muito tempo que te espero.
Há muito tempo que não vens.


José Luís Peixoto
A Criança em Ruínas 

Amigos,
O link dos comentários ficará desativado por um breve período.
Estou em falta com quase todos os que comentaram nos dois últimos posts. 
Retribuirei, na medida do possível.




27 de dezembro de 2011

Ano Novo

Deviantart/jennyriot



Um brinde ao que está sempre em nossas mãos
A vida inédita pela frente
E a virgindade dos dias que virão!

Libação



 
Desejo a todos os amigos que durante o ano de 2011
navegaram pelas serenas e, por vezes, inquietantes águas desses 
rios, e aos que, porventura, navegarão, um 
Feliz e Próspero Ano Novo! 

12 de dezembro de 2011

Sonho

daqui






Quem não sonha o azul do vôo
perde seu poder de pássaro.

Thiago de Mello
Sonho Domado
é por isso que... 
Para encontrar o azul
eu uso pássaros.

Manoel de Barros
Retrato do Artista Quando Coisa




6 de dezembro de 2011

A tua mão



Quando a tua mão pousou
sobre a minha mão
nesse rastro de ave
nesse peso de folha
eternizou-se o instante.

Maria de Lourdes Hortas
A tua mão

Não importa quanto vai durar
- é infinito agora.


Caio Fernando Abreu






1 de dezembro de 2011

Fragilidade é força

Scott Barrow/Corbis


As coisas mais rápidas são as mais maleáveis. Um pássaro é ativo porque é maleável. Uma pedra não tem nenhuma chance porque é rígida. A pedra, por sua própria natureza, vai para baixo porque rigidez é fraqueza. O pássaro pode, por sua própria natureza, ir para cima, porque fragilidade é força. O orgulho é a resistência que empurra para baixo.

Ortodoxia




28 de novembro de 2011

Para um amor ausente

Fotolog/teesperare4ever



Penso em ti como um desejo interrompido
que se teceu na minha memória.
E sonho-te mais do que te recordo.
Seleciono. Invento-te um nome, um rosto.
Reconstruo. Reconstruo-te.
Peça a peça.
Minuciosamente – real ou irreal,
- Assim te lembro.


Fragmentos de um Discurso Amoroso [7]
(ou carta quase póstuma para um amor ausente)  

na outra margem da noite
o amor é possível

leva-me

leva-me entre as doces substâncias
que morrem a cada dia em tua memória.
 ===

en la otra orilla de la noche 
el amor es posible
--llévame--
llévame entre las dulces sustancias 
que mueren cada día en tu memoria.
El Olvid

 

22 de novembro de 2011

O menino aprendeu a usar as palavras

Kenji Hayashi/amanaimages/Corbis



O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando
ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
Exercícios de Ser Criança 

Para Thiago.
Um brinde pela conclusão do seu curso de Literatura Comparada.
Sim, o menino ainda existe, meu amigo.


15 de novembro de 2011

Mãos

Getty Images/Barnaby Hall



Longas de desejo
Frescas de abandono
Consumidas de espanto
Inquietas de tocar e não prender.

Coral/Obra Poética

Asas que fossem, tuas
mãos podiam
tocar a íntima
nervura do silêncio.

Vocação do Silêncio 



4 de novembro de 2011

Meio-termo

Vincent Besnault/zefa/Corbis



Não deixe portas entreabertas.  Escancare-as ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semiventos, 
meias verdades e muita insensatez.
 
Calçada de Verão


Se não brilha mais, não insista.
Lâmpada queimada não se arruma.
Se troca por outra.



    


31 de outubro de 2011

Resíduo




Pois de tudo ficou um pouco
 Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.



  ,

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira/MG, em 31 de outubro de 1902 e morreu em 1987, aos 84 anos. Hoje estaria completando 109 anos.




27 de outubro de 2011

O coração do teu silêncio

Wallpapers e Imagens



As palavras habitam o coração do silêncio
e se eu não sei contar as palavras
que há dentro dos teus poemas
como posso saber quantas habitam
o coração do teu silêncio.

José Rui Teixeira
Quando o Verão Acabar

É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas.


22 de outubro de 2011

Em nome do teu nome

Eleonorah



















 
Em nome do teu nome, invoco o sul do silêncio
e arrimo o corpo ao vagar dos teus dedos.
Depois, deixo que me invadas, poro a poro,
que me cerques, me sacies e que a luz ilícita
dos teus olhos me ajuste ao teu abraço.


Graça Pires
Quando as estevas entraram no poema




19 de outubro de 2011

Todo o sal do mar no meu peito


Deviantart/JDMFCharlie


....Os muros.
....Todos os muros.
....Um só muro.
....E toda a sede.
....E todo o sal do mar no peito.
...Albano Martins 
...... .Assim São As Algas
Ah, todo o cais é uma.....
saudade de pedra!...........
.......

Álvaro de Campos.........
Ode Marítima.........