20 de agosto de 2011

O nó era fraco




Eu me arrebentei, assim, porque o nó era fraco. Frouxo. Mal dado. Eu afundei, em segundos, porque no meu casco havia um buraco milimétrico por onde o mar entrou, aos poucos. Inteiro. Eu caí com o primeiro vento porque não havia tijolos. Eu era construção mal feita. Erguida na pressa. Madeira com pregos mal batidos. Fachada. Eu derreti ao sol porque era de plástico. Sumi no sopro porque era pó. Eu me quebrei na primeira queda porque, por dentro, não havia mais nada. eu me sentia forte, sem saber que já era oco.


 
Eduardo Baszczyn

Coisas da Gaveta
 
Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e
ninguém suspeitar dos traumas, das quedas,
dos medos, dos choros.

 

27 comentários:

Gaby Soncini disse...

Cheguei aqui novamente...

Palavras que fazem doer, bastante.

Penso muito nisso que Caio escreveu, como é estranho andar, e poucas pessoas suspeitarem mesmo de tudo o que acontece dentro.

Grande Beijo!

Braulio Pereira disse...

vim visitar-te ler-te.

agradecer teu lindo comentario

estou orgulhoso pelo teu carinho..


Amei muito.

beijos doces!!!

AC disse...

A nossa fragilidade é pungente...

Beijo :)

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Krasivo. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs

Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.

Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

Sandrio cândido. disse...

Que triste
beijos

Michelle Trindade disse...

Sempre nos dizem para sorrir, pois qdo sorrimos não externamos o qto estamos quebrados por dentro, ninguém suspeita dos traumas e quão ocos estamos por dentro..
Lindos poemas..
Bjus,

Luiza França disse...

Ouve? É o barulho de uma alma se rasgando, se abrindo, deixando-se invadir e até cair. É preciso. É o tempo!

Mas como um ponteiro de um relógio, anda, caminha, segue e volta ao mesmo lugar renovado, com coisas novas.

O barco afundou! Mas a alma soergue.

Bjssss, obrigada por tão belas linhas!

MLiz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MLiz disse...

Exatamente assim! E parece que ninguém além do próprio ser que sente, vê e sente! Me sinto em cada ponto ou vírgula deste texto.
Um abraço repleto de meu carinho, Inês.
Bom domingo.
MLiz

Nina Pilar disse...

"por que o nó era fraco, frouxo..."
qdo as coisas afrouxam perdemos o equilíbrio...
és um espelho, és a imagem posta no cristal, escreves co muita delicadeza a vida que às vezes parece ocos...
gostei muito daqui.
gosto qdo encontro uma imagem que posso ver o olhar de quem escreve.

abraços
e uma linda semana

Pelos caminhos da vida. disse...

Assim me sinto amiga...

beijooo.

Dil Santos disse...

Inês minha linda, como está?
Menina, vc escolheu um escritor q sou louco, Caio Fernando Abreu. OLha só: "Me explica, que às vezes tenho medo.
Deixo de ter, como agora, quando o vento
cessa e o sol volta a bater nos verdes.
Mesmo sem compreender, quero continuar
aqui onde está constantemente amanhecendo."

[Caio Fernando Abreu]
Perfeito né? rs
Então menina, brigadão pelos votos de 4 anos viu? Espero realmente ficar mais 4, 5..., rsrs E ñ importa a quanrto tempo vc chegou no meu canto, importa é q vc conquistou um lugar especial em meu coração.
Então, meu niver é hoje, rsrsrs
Virei gente, kkkkk
Bjão minha linda, se cuida heim?

Sonhadora disse...

Minha querida

Por vezes a linha entre a vida e o abismo é tão ténue que só nos apercebemos que estamos mesmo à beirinha quando vamos a cair.

Adorei como sempre e deixo o meu beijinho
Rosa

Magna Santos disse...

Eita, pescadora, ambos fortes demais! E, diria, necessários. São compreensões importantes para se criar laços.
Beijos!
Magna
Obs.: te respondi no Sementeiras, mas gostaria que você visitasse os blogs Palavras-Pontes e Canto da Boca(respectivamente de Fabiana e Valda), ambos falam do encontro. Links:
http://palavraspontes.blogspot.com/2011/08/encontro-ou-o-que-acontecera-quando.html
http://cantodaboca.blogspot.com/2011/08/ontem-noite-no-porteno.html

Borbolet's disse...

MT BEM COLOCADO A DIVERSIDADE D Q PSSAMOS E OBSTACULOS

O Profeta disse...

Um barco parado no cais de espera
Amarras soltas do frio ferro
Uma gaivota adormeceu sem penas
Uma criança chora no meio do aterro

Cheio de penas amarro a alma
Uma saudade arrocha meu peito
Sou um caçador de nuvens breves
Um romântico sem ponta de jeito

Um barco de papel perdido do norte
Roseira plantada num campo de pedras nuas
Uma casa perdida da sua cidade
Um labirinto feito de mil e muitas ruas


Doce beijo

Talita disse...

Nós somos os únicos que achamos que ninguém percebe nossos medos, nossas inseguranças, as dores, as fraquezas.

Na verdade, todo mundo já sacou, porque está escrito nos nossos olhos, transpira pelos poros.

Um abraço

Talita

Lua Nova disse...

Vazio Agudo.
Ando meio cheio de tudo...
Leminsk

Há momentos assim... intensamente vazios!
Mas passam.

Beijokas.

。♥ Smareis ♥。 disse...

Que lindo o texto, as vezes o nó é tão fraco e nem percebemos isso.Só quando estamos caindo e que vamos perceber.Desejo um ótimo começo de semana cheio de coisas maravilhosa pra você. Um Abraço e muito beijim!
Smareis

On The Rocks. disse...

é, foi por isso que afundou.

bj

A.S. disse...

Deixo-te o meu beijo... e o meu carinho!

Saudades!!!
AL

Thiago Ya'agob disse...

Bom dia Inês.
Quanto tempo, minha amiga (!)
Como escreveu Clarice Lispector - escritora admirada por Caio Fernando Abreu -, “O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncio em mim.”
Estou um pouco silencioso, mas não silenciado: te trago sempre comigo.
Profundo o texto de Baszczyn. E ele levou-me a uma reflexão que ouvi no último domingo: "É reconhecendo o nosso estado de queda que conseguiremos levantar".
Tenha uma boa semana, Inês.
Tenho saudades aqui. Como é bom navegar nos Dois Rios.

Dil Santos disse...

Inês minha linda, vc tá bem?
Menina, eu fiquei muito emocionado com teu comentário viu? Achei lindo demais, tanto que compartilhei o no face, com todos os crédito, rsrsrsrs
Tudo de muito bom pra gente, pois nós merecemos, rs.
Bjão querida, se cuida heim?

Ane disse...

Hum...É realmente estranho e impressionante tudo isso.Mas tem gente que sofre tanto na vida que envelhece mais cedo...
Estou de endereço novo,vim pra o blogspot,desta vez sem volta!

Ateliê Artesanatos da Daninha disse...

Olá! que blog legal!!
Estou te seguindo!!
gostaria que participasse da promoção no meu blog.
http://artesanatosdadaninha.blogspot.com/
Valendo 1 Kit da Hak aviamentos. Vale a pena!!!
convide as amigas, assim terá mais chance em ganhar. bjss

Soraya Azevinho disse...

inês, o que publicas torna tudo tão belo :)


em casa, deves ter uma perdição de biblioteca. ou sê-la tu mesma. adoro sempre :)

Branca disse...

Ainda bem que conseguimos mascarar nossas fragilidades...

Beijo amiga e um domingo repleto de alegrias!
Saudade daqui!!!