6 de junho de 2008

Epílogo



Podes dizer ao mundo inteiro
que estas letras são tuas.
assim como os desenhos que fiz,
os espaços que deixei.
Podes dizer a toda a gente que um dia
te amei e que foste tu quem me fez poeta.
Podes nadar em orgulho ao saber
que todos os copos que bebi foram por ti.
Que os cigarros que fumei ansiosa e
apressadamente foram pela saudade
do teu corpo.

Quando falarem de raios e relâmpagos,
de trovões e de tufões, vais poder
dizer que fui eu quem fez a China,
quem ergueu muralhas e deitou as
lágrimas de sangue.
Quando te perguntarem se um dia me
conheceste, diz que sim.

Responde um afirmativo de poder e de vontade.
Podes deixar o medo do conhecimento
alheio, agora que te sou realmente alheia.
Quando um dia o mundo se
desfizer verdadeiramente em estações trocadas
o Verão pelo Outono ou o Inverno pela
Primavera - aí podes descansar.
Podes contar à galáxia e aos seus
sobreviventes que, meu eterno desconhecido,
um dia me fizeste rainha.
...

José Eduardo Agualusa
Egoísta, nº 32




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2 comentários:

Qalani disse...

No momento estou Qalani.
Que bom que a tua enorme capacidade de juntar belezas encontrou um lugar para se mostrar.
Vou continuar gostando, aqui como acolá.
E me sentindo padrinho, se mais não for.
Beijo,

Dois Rios disse...

Obrigada pelo carinho, menino! Vc é sim o meu padrinho. Pode
esparramar-se nesta alusão.
Beijos,